O Poder da Palavra de Deus

"Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo. E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão".
Mateus 10:34-42

"Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo". Malaquias 4:1

"De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.
Esquadrinhemos os nossos caminhos, e provemo-los, e voltemos para o SENHOR.
Tu te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas".
Lamentações 3:39, 40, 57

"E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus,
E estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer. (...)
Cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor;
O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação".

Romanos 4:20-25



domingo, 17 de maio de 2009

Tenho raiva dos mercadores da fé

Sou um homem de fé. Acredito no impossível, pois sou casa de um Senhor que realiza até o impossível. Tenho fé não só no vejo, mas por convicção num Senhor que me resgatou da iminente morte eterna. Confio em uma Palavra onde diz que a fé é crer em algo que não preciso ver ou sentir. Por isso não me sirvo de amuletos ou rituais consagrados.

Diante disso, compreendo porque Jesus expulsou aqueles que vendiam ou compravam no templo (Lc 19:45-46). Tenho a mesma vontade!

Tenho raiva dos que vendem a fé aos necessitados de Jesus. É preciso compreender que não necessitamos de soluções financeiras ou de saúde. Necessitamos de Jesus. A solução virá se Jesus quiser.

Tenho raiva dos que anunciam a Igreja como um mercado de soluções das vontades carnais. Jesus ensina aos mercadores da fé que a Igreja é casa de oração.

Como já disse, sou um homem de fé. Mas custei a acreditar quando vi na tv um desses vendedores da fé oferecendo uma tal sessão da revelação. "Funciona" assim: existe um baú onde será colocado um fio de cabelo da pessoa que queira saber quais são os problemas em sua vida. Então esse baú será lacrado e após a "oração" será "revelado" o que aflige o dono do fio de cabelo. Imagina a quantidade de fio de cabela dentro do baú... será que é uma nova forma de arrecadar dinheiro vendendo perucas?

Já vi (e não acrediditei no que vi) outro vendedor da fé dizendo que a pessoa deverá fazer um nó em uma camisa preta (da pessoa sofredora) e levá-la para (onde? não posso chamar de Igreja, então chamarei de igreja, com "i" minúsculo) igreja. E como num passe de mágica o nó será desatado e pronto! Seus problemas se acabaram! Será que é mais uma arrecadação para posterior venda de camisas pretas?

Vi também um cidadão (não posso chamá-lo de pastor, bispo, apóstolo ou semi-deus) carregando no ombro um galão de 20 litros de água monte acima. O rosto sofrido do gordinho subindo o monte é engraçado, mas não tem graça nenhuma quando ele diz que essa água será orada (ou seria benzida?) e quem bebê-la será abençoado. E claro, quem der o dízimo em dobro será duplamente abençoado!

Já vi tantas coisas absurdas desses mercadores: "cimento da casa própria", "tocar no trono branco", "raspadinha de Jesus", "lâmpada da santificação", "corredor de sal", "rosa e maçã do amor"...

Fico triste e com raiva quando vejo isso em horário nobre na tv. Imagina o preço que é pago por esses horários televisivos para apresentar esse tipo de coisa. Vender a fé como subterfúrgio de mandar em Deus. Deus é Senhor e não servo de nossas vontades.

A tristeza passa e a raiva vai embora quando vejo que a Esperança da Glória bate no meu peito! Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Sim Ele breve virá, pois essas coisas são sinais do fim dos tempos. Alegrem-se, pois esses mercadores, falsos mestres, falsos profetas fazem parte dos sinais da volta do nosso Redentor! E quem perseverá, verá e subirá com Ele para um lugar onde não mais existirá a cobiça pelo dinheiro.
E para completar: (E agora, mercadores da fé?)
"Deus não é um solucionador de problemas. É um solucionador de pessoas. Deus não prometeu fazer nossa vida melhor. Prometeu nos fazer homens e mulheres melhores: semelhantes ao seu Filho. Quem espera uma vida melhor como resultado da intervenção do Deus onipotente, onipresente e onisciente, acaba se frustrando e sucumbindo em culpa e incredulidade. Quem espera ser uma pessoa melhor e andar em comunhão com Deus, numa relação de amor e liberdade, respondendo suas interpelações e desfrutando sua presença e doce companhia é capaz de enfrentar a vida, qualquer que seja ela".
Ed René Kivitz em:

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Os 61 anos do Estado de Israel e a proximidade do Arrebatamento da Igreja

Há 61 anos (14 de maio de 1948), estabeleceu-se o Estado de Israel. A existência do povo israelita é um fenômeno singular, racionalmente incompreensível, uma prova da existência de Deus. Séculos vêm e vão, povos florescem, alcançam seu apogeu, envelhecem e desaparecem. Mas Israel, ao longo de quase seis mil anos, não foi atingido pela lei da mortalidade dos povos.

Em 70 d.C., Jerusalém foi destruída pelos romanos, e, a partir de então, os judeus (sem território próprio) passaram a sofrer terríveis perseguições. Na Idade Média, foram queimados aos milhares em praça pública pela Igreja Romana, sob o domínio do inquisitor Torquemada. Durante a II Guerra Mundial (1939-1945), mais de seis milhões deles foram brutalmente assassinados. Essa perseguição durou até 1948. A partir desse ano, Israel vem colecionando muitas vitórias, tornando-se uma grande potência mundial. Sua tecnologia e seu modelo de administração são exportados para todo o mundo.

Logo após a proclamação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948, os exércitos de Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o país, dando início à Guerra da Independência. Recém-formadas e pobremente equipadas, as Forças de Defesa de Israel (FDI) conquistaram uma expressiva vitória depois de quinze meses de combate.

Os israelenses, então, concentraram seus esforços na construção do seu Estado. David Ben Gurion foi eleito primeiro-ministro, e Jaim Neizmann, presidente. Em 1949, Israel se tornou o 59º membro das Nações Unidas, o que aumentou a fúria de seus inimigos, os quais até hoje insistem em não reconhecer a legitimidade do Estado de Israel.

Em 1956, sofrendo ameaças de Egito, Síria e Jordânia, Israel tomou a Faixa de Gaza e a Península do Sinai. Neste mesmo ano, de comum acordo com a ONU, começou a devolver as terras conquistadas. Essa atitude lhe proporcionou algumas vantagens, como: a liberdade para navegar no Golfo de Eliat e a permissão para importar petróleo do Golfo Pérsico.

Quando a paz parecia consolidada, irrompeu, em 1967, a Guerra dos Seis Dias. O Egito novamente, deslocando um grande número de tropas para o deserto do Sinai, ordenou que as forças de manutenção de paz da ONU se retirassem da área. Entretanto, mesmo com a ajuda militar de Jordânia e Síria, os egípcios sofreram outra humilhante derrota.

Invocando o seu direito de defesa, Israel desencadeou um ataque preventivo contra o Egito, no sul, seguido por um contra-ataque à Jordânia, no leste. Expulsou, ainda, as forças sírias entrincheiradas no Planalto de Golan, ao norte. E, em apenas seis dias, Israel conquistou a Judéia, a Samaria, Gaza, a Península do Sinai e o Planalto de Golan.

Em 1973, depois de anos de relativa calma, ocorreu a Guerra de Yom Kipur (Dia da Expiação, dia mais sagrado do calendário judaico). Egito e Síria atacaram Israel, dessa vez de surpresa. O exército egípcio atravessou o Canal de Suez, e as tropas sírias invadiram o Planalto de Golan. Em três semanas, Israel repeliu os ataques de forma milagrosa.

Havia, nas Colinas de Golan, 180 tanques israelenses para enfrentar 1.400 tanques sírios! No Canal de Suez, havia quinhentos israelenses para enfrentar 80.000 egípcios! Mesmo assim, em dois dias, Israel mobilizou seus reservistas e conseguiu fazer retroceder seus adversários, penetrando no território inimigo. Não fosse a intervenção da ONU, o Egito teria uma derrota arrasadora.

Depois dessa guerra, a economia israelense cresceu expressivamente. Os investimentos estrangeiros aumentaram, e, em 1975, Israel se tornou membro associado do Mercado Comum Europeu. Ademais, o turismo se tornou uma das principais fontes de renda do país.

Hoje, não há guerras. Mas há conflitos e uma permanente ameaça: os palestinos (povos árabes que formavam a população nativa da Palestina antes de 1948). Estes, depois de serem expulsos da Jordânia, em 1970, perpetraram repetidas ações terroristas contra as cidades e colônias agrícolas israelenses, causando danos físicos e materiais.

Esse breve relato das vitórias de Israel evoca uma pergunta: “De onde vem a força do povo judeu?” A verdade é que Deus impôs sua mão em primeiro lugar a esse povo. Dali o Senhor queria começar, para prosseguir até à recondução de todos os povos à sua comunhão de paz (Êx 19.5,6). Ao chamar Abraão, pai do povo israelita, Deus lhe disse: “... em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3).

Israel não foi fiel ao Senhor, trazendo sobre si duras conseqüências (Rm 11). Mas a Palavra de Deus diz que “o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado” (Rm 11.25). A julgar pelo florescimento dessa nação, nesses 61 anos, o tempo da plenitude gentílica está chegando. E tudo isso evoca a última oração da Bíblia: “Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).


by Ciro S. Zibordi

Orientações para Odiar o Pecado (7)

Orientação VII

Considere a vida que você deverá viver para sempre, se você for para o céu; e a vida que os santos vivem lá agora (Cl 3:1); e então não pense que o pecado, que é tão contrário a isso, não seja uma coisa tão vil e odiosa. Ou você viverá no céu, ou não. Se não, você não é um daqueles para quem eu falo. Se você for, você sabe que lá não há prática de pecado; não há mente mundana, orgulho, paixões, luxúria e prazeres carnais lá (Ap 21:3-4 e Ap 22). Oh se você pudesse ver e ouvir apenas uma hora, como aqueles abençoados espíritos estão elevadamente amando e magnificando o glorioso Deus em pureza e em santidade (Ap 4), e quão longe eles estão do pecado, isso faria você repugnar o pecado e ver os pecadores num estado de extrema decadência como homens nus nadando em seus excrementos (Ap 18:4-9, Ap 20 e Ap 21). Especialmente, pensar que vocês têm esperança de viver para sempre com aqueles santos espíritos; e, portanto o pecado será desgostoso para você.

(continua...)

Orientação por Richard Baxter
Tradução da Orientação: Joelson Galvão Pinheiro

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terça-feira, 12 de maio de 2009

Morrer na Cruz é Fácil(!). Difícil é Ter o Poder de te Salvar.

Sempre quando penso do modo que Jesus morreu, me vem a cabeça: "Morte terrível, mas existem mortes terríveis a todo tempo". Ok, antes de você me chamar de fariseu, pense comigo... Paulo, o apóstolo (no verdadeiro sentido do ofício, e não esses que existem hoje por aí) foi decapitado, Estevão foi apedrejado (At 7:59), e tantos outros - que a própria Bíblia cita - morreram de uma forma dolorosa (Hb 11:36-38).

É comum enfatizarmos o modo que Jesus morreu. Quem não saiu chorando do cinema ao ver o filme "A Paixão de Cristo"?. Lembro-me dos olhos vermelhos e lenços encharcados dos que saiam das salas de cinema. E lá estava eu, distribuindo uns planfetinhos... todo comovido... e torcendo para que o romance fosse ignorado para que a obra da salvação fizesse sentido na vida dos chorosos.

Jesus nos ensina que não há prova maior de amor do que morrer pelos seus amigos (Jo 15:13). Morrer por alguém pode até significar salvar alguém, mas isso é temporário, pois o amigo que seria salvo pelo seu ato morreria um dia. Você não morreria para que ele tivesse vida eterna. Mas você não morreria em vão, já que é um ensinamento daquele que é galardoador.

O que quero que você entenda é que somente Jesus, o Cristo, o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14:6) teve o poder de morrer para te salvar eternamente (1 Jo 2:25 e 5:11). Foi a morte de alguém que tinha o poder de te substituir (Jo 3:16) de uma sentença da qual, já nascera com ela: a morte eterna! (Rm 3:23 e 6:23).

Se todos morrecem por você, de nada valeria. Contudo, Jesus morreu por todos e isso sim é de grande valia!

Se você ainda não entendeu nada do que é salvação, que sentença de morte é essa... Questione! Leia a Bíblia! Pois Jesus é galardoador daqueles que O buscam (Hb 11:6 e Jo 4:36).

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Orientações para Odiar o Pecado (6)

Orientação VI

Pense bem quão puros e doces deleites uma alma santa pode desfrutar de Deus em Sua santa adoração; e então você verá o que o pecado é, pois ele rouba-nos destes deleites e prefere uma luxúria carnal ao invés deles. Oh, com quão grande felicidade poderíamos realizar cada dever, quão grandes frutos poderíamos produzir servindo nosso Senhor, e que deleites encontraríamos em Seu amor e aceitação, e como pensaríamos mais na bem-aventurança eterna, se não fosse o pecado (Rm 7:17); o qual afasta as almas dos portões dos céus, e as faz cair, como um suíno, no seu amado lamaçal (Lc 15:15-16).

(continua...)


Fonte: http://www.puritansermons.com/baxter/baxter16.htm
Via: Voltemos ao Evangelho
Orientação por Richard Baxter
Tradução da Orientação: Joelson Galvão Pinheiro


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Orientações para Odiar o Pecado (5)
Orientações para Odiar o Pecado (4)
Orientações para Odiar o Pecado (3)

O cristão pode (deve) pensar

A visível falta de profundidade dos cristãos em geral no que se refere à defesa de sua fé. O teólogo R.C. Sproul chama este período de o mais anti-intelectual da história da igreja.

Charles Malik, ex-embaixador do Líbano nos Estados Unidos diz: "[...] o maior perigo que o cristianismo evangélico enfrenta é o anti-intelectualismo. Em suas esferas mais importantes e profundas a mente não tem recebido a atenção devida. [...] Quem, entre os evangélicos, pode se opor aos grandes estudiosos secularistas, naturalistas ou ateus no nível de erudição deles? [...] Será necessário um espírito totalmente diferente para vencer esse grande perigo do anti-intelectualismo."

William L. Craig, professor de pesquisas em filosofia na Talbot School of Theology (Biola University) e autor de diversos livros e artigos sobre filosofia e apologética, transparece sua preocupação com a falta de responsabilidade intelectual, quando diz:
  • "O cristão comum não percebe que há uma guerra intelectual em andamento em nossas universidades, nas revistas especializadas e nas associações de pesquisadores. O Cristianismo esta sendo atacado de todos os lados como irracional ou antiquado, e milhões de estudantes, nossa próxima geração de lideres, absorveram esta perspectiva.";
  • "O anti-intelectualismo tem ceifado muitos jovens cristãos que são bombardeados intelectualmente ao entrarem nas universidades por um emaranhado de filosofias e conceitos anticristãos.";
  • Sempre encontro pais cujos filhos abandonaram a fé porque não havia ninguém na igreja que podia responder as suas perguntas. Por amor aos nossos jovens, precisamos desesperadamente de pais informados e preparados para encarar as questões no nível intelectual".

A verdade é que o evangelicalismo de hoje ataca a intelectualidade como ataca um ídolo pagão. A ênfase sustentadora da fé não é mais a Escritura, mas as experiências subjetivas e “místicas”.

Em 1756, John Wesley pregou um discurso à um grupo de homens que se preparavam para o ministério e os exortou a adquirir habilidades intelectuais em áreas diversas do conhecimento humano para que assim pudessem argumentar com um pouco mais de competência. Em outro momento, Wesley usou uma de suas frequentes correspondências para exortar um liderado intelectualmente desestimulado. “Seus dons de pregador” escreveu à um deles, “não melhoraram; são iguais a sete anos atrás; você possui vida, mas não profundidade; há alguma monotonia em sua mensagem; não há amplidão de pensamento. Somente a leitura diária pode remediar isso, combinada com meditação e a oração. Você causa a si próprio graves prejuízos ao omitir tais coisas. Sem elas, você nunca chegara a ser um pregador profundo, e nem sequer um cristão completo”.

O fato é que precisamos acordar para os perigos da falta de preparo frente aos frequentes e cada vez mais ferozes ataques ao cristianismo. É necessário um preparo adequado para combatermos a acelerada proliferação das seitas e heresias. O renomado apologista e pesquisador Jan karel Van Baalen afirma em tom de exortação: "A resposta escolar “eu sei, mas não sei explicar”, engana somente o estudante. Se não soubermos responder ao argumento do sectário é porque não dominamos os fatos. É nosso conhecimento inadequado que nos obriga a abandonar o campo derrotados, desonrando o Senhor".

O próprio Lutero, apesar de não ser um apologista, se envolveu em calorosos debates acerca da sã doutrina, e ele mesmo disse: "Se não existissem as seitas, pelas qual o diabo nos despertasse, tornar-nos-íamos demasiadamente preguiçosos e dormiríamos roncando para a morte. A fé e a palavra de Deus seriam obscurecidas e rejeitadas em nosso meio. Agora, essas seitas são para nos como esmeril, para nos polir; elas nos amolam e estão lustrando a nossa fé e a nossa doutrina, para se tornarem limpas como um espelho brilhante. Também chegamos a conhecer Satanás e seus pensamentos e seremos hábeis em combatê-lo".

Fonte: Soli Deo Gloria (Resumo do post "A importância da apologética/Parte I by Daniel Grubba)"

Referências: J.P Moreland & William Lane Craig, Filosofia e Cosmovisão Cristã, p. 28.; William L. Craig, A veracidade da fé cristã, p. 12; Timothy George, Teologia dos Reformadores; Mateo Lelièvre, João Wesley sua vida e obra; Bíblia apologética.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Orientações para Odiar o Pecado (5)

Orientação V

Pense no propósito da existência da alma humana. Para que ela fora criada? Para amar, obedecer, e glorificar nosso Criador; e você verá o que é o pecado, pois ele perverte e anula esse propósito. Quão excelentemente grande e santa é a obra para o qual fomos criados e chamados para fazer! E deveríamos desonrar o templo de Deus? E servir ao diabo em sua imundície e tolice, quando deveríamos receber, servir, e glorificar nosso Criador?

(continua...)

Fonte: http://www.puritansermons.com/baxter/baxter16.htm
Via:
Voltemos ao Evangelho
Orientação por Richard Baxter
Tradução da Orientação: Joelson Galvão Pinheiro

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Orientações para Odiar o Pecado (4)
Orientações para Odiar o Pecado (3)
Orientações para Odiar o Pecado (2)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Quem faz a igreja crescer? Jesus Cristo ou a propaganda?


Desde criança que escuto aqueles carros de som em sua estridência: "Olha a melancia! Pague uma, leve duas; Quem vai levar o abacaxi docinho, docinho. Venha e leve para toda a sua família; Olhem o tapete e as almofadas, não percam essa oportunidade" ...etc. etc. e etc....

Hoje em dia eu escuto: "Venha ser tremendamente, ricamente, milagrosamente abençoado! Venha para a igreja dos "super-apóstolos" que irão estar orando por você. Traga toda a sua família e receba a sua bênção. Troque de carro, saia do aluguel, seja seu chefe!"

É mole!? Em nenhum momento eu ouvi o nome de Jesus... mas pra quê, né?! Isso não é chamativo. Pois quem ousou oferecer uma cruz onde nem todos os seus desejos são realizados? Quem desafiou os interesseiros a confrotarem suas paixões?

Quem ofereceu a renúncia como um bem? Foi ele. Jesus! O Cristo!

E você? Ousaria dizer: "Para onde mais irei Senhor, se só Tu tens as Palavras de vida eterna."

Por essas e outras coisas que não entro nessas igrejas (igrejas?) onde o caminho a ser seguido é somente a recompensa.

Segue nas palavras de Frank Schaeffer, em Viciados em Mediocridade (Editora W4) o meu raciocínio diate dessas coisas:

"Nas Escrituras, Deus nos deixou a igreja como instituição para servir a um propósito digno e verdadeiro. No entanto, a ansiedade por programas e atividades da igreja de hoje mais parece uma combinação entre programação de clube de golfe, sociedade de boliche, campeonato de escola dominical, culto inspirativo, mensagem-comunhão-propaganda sobre Jesus e máquina de fazer crescer-tudo numa coisa só. Não lembra muito a instituição sobre a qual lemos no Novo Testamento. Na maioria das vezes, o nível de ensino é tão superficial, repetitivo e sem valor, que tende a ser mais destrutivo do que benéfico."

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Orientações para Odiar o Pecado (4)

Orientação IV

Considere e conheça o maravilhoso amor e a misericórdia de Deus, e pense no que ele tem feito por você e você odiará o pecado, e terá vergonha dele. É um agravamento do pecado até mesmo para a razão comum e a ingenuidade, que devemos ofender um Deus de infinita bondade que encheu nossas vidas de misericórdia. Você será afligido se você tem injustiçado um extraordinário amigo; seu amor e sua bondade virão aos seus pensamentos e você sentirá raiva de sua própria maldade. De um lado veja a grande lista das misericórdias de Deus pra você, para sua alma e seu corpo. Do outro, observe satanás, escondendo o amor de Deus de você, e tentando você debaixo de uma pretensa humildade de negar Sua grande e especial misericórdia; procurando destruir seu arrependimento e humilhação escondendo também o agravamento do seu pecado (Tg 5:20).

(continua...)

Fonte: http://www.puritansermons.com/baxter/baxter16.htm
Via:
Voltemos ao Evangelho
Orientação por Richard Baxter
Tradução da Orientação: Joelson Galvão Pinheiro

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Fé é Maior que a Vontade de Deus?


Sobre a Fé

Permita-me duvidar. Permita-me possuir incertezas. Permita-me duvidar de sua fé. Permita-me fazer autópsias sobre o campo de suas certezas intocáveis. Permita-me dissecar as suas verdades mais ortodoxas.

A fé é construída sobre a Palavra de Deus. A fé no Novo Testamento fora construída sobre as palavras de Cristo. Por isto, não acredito em fé, sem que esta não seja concebida por Deus, e por Sua palavra. Não creio que minha fé possa curar sem antes Deus ter concedido a Sua palavra de cura. Não creio que minha fé possa ressucitar, sem antes Deus outorgar a Sua vontade de trazer de volta a vida. Isto seria uma tolice, meninice. A fé é a nossa reação sobre a ação de Deus através de Sua Palavra em nossas vidas. Todas as curas no Novo Testamento foram efetuadas alicerçadas na fé no filho de Deus, Jesus Cristo. Sobre aquilo que ele mesmo mencionava a seu respeito (Filho de Deus), e sobre aquilo que era transferido oralmente aos outros sobre ele (Seus ensinamentos e obras). É por isto que determinadas certezas, tornam-se incertas. Pois, não posso ter uma confiança absoluta sobre aquilo que Deus não falou. Não posso abalizar minha fé na minha boa vontade e boa intenção. Não existe fé fora de Deus. Não existe certeza fora das palavras de Cristo. Não existem atos milagrosos segunda a minha palavra e vontade. Cristo é quem rege tudo e todos; Cristo é quem dita os milagres; Cristo é quem outorga as bênçãos. A nossa fé está estruturada na vontade soberana de Cristo. Posso desejar uma cura, ter fé suficiente, e acreditar que Cristo tem poder para efetuar um milagre, porém a minha fé esbarra e limita-se a Sua vontade soberana. Caso Jesus não queira curar, caso Jesus não deseje sanar a dor, minha fé será lançada ao vento.

Minhas palavras, vontades, boas intenções, e minha fé, não estão acima e nunca estarão à frente da vontade soberana do Senhor. Por isto duvido e possuo incertezas com respeito a minha fé e a de todos que me cercam. Não posso lançar esperança sobre aquilo que Deus não falou. Não posso crer sobre a determinação do coração humano. Deus nos presenteou com fé para crermos em Sua Palavra, nada mais. A graça da fé anda sobre os trilhos da vontade do Senhor, e não sobre os meus bons sonhos e boas paixões. Sou um incrédulo ao ponto de vista humano, pois não repouso minha esperança sobre a vontade humana, por mais bem intencionada que seja. A fé neutraliza a nossa vontade, para que possamos crer na vontade eterna de Deus. Fé só é fé, quando esta for presenteada por Deus, segundo a Sua infinita misericórdia, mediante a Sua Palavra.

Ainda Sobre a Fé

Tenho para mim que a fé nunca agirá segundo as minhas palavras, mas sim segundo a minha confiança nas palavras de Cristo. A fé nasceu e culminará sobre a vontade de Cristo. Uma fé longe da vontade soberana seria uma fé vaga, sem valor, inexistente. As palavras de Jesus revelam a Sua vontade, a nós, e a toda humanidade. Fé seria crer na vontade de Cristo para as nossas vidas, tendo sempre a certeza que todo o controle pertence a Ele. Depositar esperança nas palavras e promessas feitas pelo Senhor, trata-se de fé operante, existente. Somos constrangidos pelo seu Espírito a crermos em Suas palavras. O Espírito Santo nos revela a Sua vontade, e nos enche de esperança que tais promessas se cumprirão. Não posso enxertar em meu coração uma fé fora da revelação do Espírito. É ele que sonda as vontades de Deus e as revela a mim.

O transportar montanhas mediante a fé, é única e exclusivamente sob a vontade do Senhor. Cristo é quem demonstra o alvo de nossa confiança. Caso Ele revele a Sua vontade de transportar montanhas (que simboliza nossos problemas, doenças, etc.), então minha fé reagirá segundo esta ação de Cristo, ao qual é: “Removerei as montanhas se creres na minha Palavra!”. Nunca as montanhas serão removidas segundo a minha vontade e fé, caso Jesus não tenha ordenado. O povo de Israel por vezes foi guerrear segundo a sua própria vontade, fé, e porque não, boa intenção. Com isto foram envergonhados, pois Deus não havia lhes comunicado palavra alguma para que a fé dos israelitas fosse despertada, como no caso: “Eu irei a vossa frente”, “O Senhor pelejará por vós”, “Eis que os tenho entregado nas vossas mãos”. A fé não se trata de uma criação humana, uma invencionice terrena. Engana-se quem acredita (E existem muitos!), que é possível explicar a fé no Deus criador através da ciência. A fé é inexplicável. Mas, não porque através dela milagres ocorrem, claro segundo a vontade de Deus. Mas, sim porque a fé é acreditar (crer) que somos alvos do amor e da vontade de um único Deus, e que este mesmo Deus, se comunica conosco através do sacrifício vicário de Cristo; o Deus que se vestiu segundo a semelhante forma do homem e fez sua moradia em meio aos pecadores. Por isto a fé é inexplicável. Seria simplório demais acreditar que a fé torna-se inexplicável simplesmente pelos efeitos dos milagres surpreendentes. A medicina por si é surpreendente. A fé é inexplicável, pois faz de nós humanos, adquirir uma vida submetida a uma vontade eterna e soberana, regidos por um amor inexplicável. Isto sim faz com que alguns tornan-se céticos e desacreditados sobre a fé.

Bem disse Ricardo Gondim: “Um Deus concebível pela mente humana seria menor do que a própria mente, já que conseguiu abarcá-lo. Esse deus seria, portanto, o resultado dos raciocínios, ou seja, um ídolo”. Uma fé explicável e compreendida não trata-se de fé, mas sim de um ídolo criado. Onde dou a ela formas e características que acho conveniente, segundo as minhas paixões. A verdadeira fé não sofre quaisquer metamorfose carnal do homem, pois ela é CONCEBIDA e ALIMENTADA por Cristo. Portanto, uma fé longe da Palavra do Senhor, e modelada conforme o meu desejo, é uma fé inexistente e incapaz de cumprir os desígnios de Deus em minha vida.


by Vitor Hugo da Silva

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Orientações para Odiar o Pecado (3)

Orientação III

Pense bem o quão santo é a obra e o ofício do Espírito Santo (Jo 14:16-19, Rm 8:9), e quão grande misericórdia isto é para nós (Mt 12:18, Ef 2:4-8). Irá o próprio Deus, a luz celestial, descer a um coração pecaminoso para iluminá-lo e purificá-lo? (Sl 119:9-12) E ainda devo manter minha escuridão e corrupção, em oposição a essa maravilhosa misericórdia? (Rm 8:5) Embora nem todo pecado contra o Espírito Santo seja uma blasfêmia imperdoável, tudo é ainda mais agravado por meio disso (Mt 12:31, Mt 15:19).

(continua...)


Orientação por Richard Baxter
Tradução da Orientação: Joelson Galvão Pinheiro

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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Orientações para Odiar o Pecado (2)

Segue a segunda orientação. E lembre-se, leia principalmente as referências bíblicas, se puder, leia todo o contexto dessas referências, pois a Bíblia deve ser o nosso primeiro referencial, sempre!.


Orientação II

Considere bem o ofício de Cristo (1Jo 3:8), Seu sangue derramado (1Pe 1:18-19) e Sua vida santa (Mt 3:16-17). Seu ofício é expiar o pecado e destruí-lo (Jo 1:29). Seu sangue foi derramado por ele (Ef 2, Cl 2:13). Sua vida o condenou (Hb 9:15). Ame a Cristo e você odiará o que causou Sua morte (1Ts 1:6). Ame-O e você irá amar ser feito à imagem Dele, e odiará aquilo que é tão contrário a Ele (Jo 17:14).

(continua...)


Fonte: http://www.puritansermons.com/baxter/baxter16.htm
Via:
Voltemos ao Evangelho
Orientação por Richard Baxter Tradução da Orientação: Joelson Galvão Pinheiro


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Orientações para Odiar o Pecado (1)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Orientações para Odiar o Pecado (1)

A Bíblia nos ensina que o salário do pecado é a morte (Rm 6:23; Tg 1:15), que devemos renovar a nossa mente (Rm 12:2) e que devemos não amar as coisas do mundo, ou seja, o pecado (1Jo 2:15).
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O nosso amigo Richard Baxter escreveu algumas importantes orientações para nos ajudar nessa tarefa. Quem já não ouviu falar que o pecado é bom? Que o pecado é prazeroso? Pois bem, após essas orientações bíblicas, vejamos se realmente são. Você pode dizer que certos tipos de pecado são bons e prazerosos para nossa carne. Mas devemos saciá-los? Eis a grande questão!
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Nesta primeira série de posts, estão as orientação de Baxter para nos ajudar a refutar o pecado. Leia de modo que compreenda por completo à questão. Leia principalmente as referências bíblicas, se puder, leia todo o contexto dessas referências, pois a Bíblia deve ser o nosso primeiro referencial, sempre!
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Postarei uma a uma, para que seja meditada e compreendida sem pressa. Segue a primeira:


Orientação I

Se esforce tanto para conhecer a Deus quanto para ser afetado pelos Seus atributos (Jo 3:30; 1Co 2:12; Ef 3:19). Viva sempre diante Dele (Lc 2:52; 1Pe 3:4). Ninguém pode conhecer o pecado perfeitamente porque ninguém pode conhecer Deus perfeitamente (Jó 5:9; Rm 11:33). Você não pode conhecer o pecado mais do que você conhece a Deus, contra quem o seu pecado é cometido; a malignidade formal do pecado é relativa, pois é contra a vontade e os atributos de Deus (Gl 5:19; 1Jo 2:15).

O homem piedoso tem algum conhecimento da malignidade do pecado porque ele tem algum conhecimento do Deus que é ofendido pelo mesmo. O ímpio não tem um conhecimento prático e prevalente da malignidade do pecado porque eles não têm um conhecimento de Deus. Aqueles que temem a Deus temerão o pecado; aqueles que em seus corações são irreverentes e impertinentes para com Deus, serão, em seus corações e em suas vidas, a mesma coisa para com o pecado; o ateísta, que acha que não existe Deus, também acha que não há pecado contra Ele (Jó 36:13; Sl 119:155; Is 32:6).

Nada no mundo inteiro irá nos mostrar de maneira tão simples e poderosa a maldade do pecado, do que o conhecimento da grandeza, bondade, sabedoria, santidade, autoridade, justiça, verdade, e etc., de Deus. Portanto, o senso da Sua presença irá reviver em nós o senso da malignidade do pecado (Rm 12:2).


(continua...)
Orientação por Richard Baxter
Tradução da Orientação: Joelson Galvão Pinheiro

domingo, 5 de abril de 2009

As migalhas de Jesus

"E eis que uma mulher cananeia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós.
E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!
Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã. (
Mateus 15:22-28 grifos meus).

I-n-c-r-í-v-e-l. Este texto é impressionante! Como pode um texto assim estar na Bíblia Sagrada? O que os triunfalistas, determinadores e mandantes de Deus pensariam deste texto? Será que as igrejas deles se encheriam de um povo que se contenta com migalhas? Eles sabem que não. Por isso oferecem reinos e majestades... aqui, neste mundo.

A fé daquela mulher cananeia "surpreendeu" Jesus. E quando Jesus se permite ser surpreendido, a condição para que isso aconteça vem Dele. Por isso, Ele diz: "Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos".

Diferentemente do que vimos hoje em dia, ela não determinou ou mandou Jesus atendê-la de imediato. Ela simplesmente O adorou como que dizendo: "Socorre-me, Senhor. (...) mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores ".

Jesus conhecia o coração daquela mulher, pois ela não exigia, e sim, suplicava. Ela O conhecia. Sabia que Jesus poderia curar sua filha.
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O fato é que Jesus veio não só para os israelitas. Ele veio para os cananeus, samaritanos, ateus, fariseus, amorreus e para todos nós, os gentios. Jesus primeirante a ignorou e ela não desisitiu, depois disse que não iria atendê-la e ela não desistiu. Perseverou na fé. Jesus queria que ela manifestasse a sua fé de forma verdadeira e definitiva.
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Jesus poderia tê-la atendido de primeira. Mas o propósito Dele é o nosso crescimento Nele, haja vista todos os acontecimentos.
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Encontrar uma pessoa que não seja tão egoísta ao ponto de querer mandar em Jesus com suas determinações "surpreende". Como pode uma pessoa chegar a Jesus e pedir o que os cachorrinhos comem do que cai da mesa de seus donos? É muita humilhação! Preferimos nos encher de nossa glória e determinar: JESUS, EU QUERO ISSO E AQUILO, PRONTO E ACABOU!
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Que tal cada um aceitar e obedecer o fato de ser a criação diante do criador? Essa estória de uma criação se tornar mais forte e se rebelar contra o seu criador é coisa de filme de ficção científica. A vida real é o Caminho, a Verdade e a Vida. Reino real é aquele que Jesus nos apresentou, que é o Reino dos Céus e não é neste mundo.
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Chega de propaganda de igreja prometendo (ou vendendo) uma vida melhor, sem problemas ou aflições. Com os slogans: "venha ser ricamente abençoado", "pare de sofrer", "tenha só vitórias", "seja cabeça e não cauda", etc.
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Surpreenda a Jesus e vá a igreja somente para engradecer e adorar o Seu Santo Nome!
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Surpreenda a Jesus e diga cultuando-O: "Jesus, mesmo que eu saia daqui sem nenhum milagre, que eu saia com a convicção de ter te adorado verdadeiramente".

sábado, 4 de abril de 2009

Paul Washer: "Não Conhecemos o Evangelho de Jesus Cristo!"

O evangelho que pregamos hoje é um ritual!
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Precisamos entender que o cristianismo nunca será amigo deste mundo. O cristianismo sustenta o único caminho de salvação para este mundo. Eles nunca serão amigos. O cristianismo nunca irá cumprir as exigências do mundo.
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O que eu devo fazer hoje à noite? Eu vou fazer o que geralmente faço quando tenho apenas uma chance de pregar para um grupo de pessoas. Eu vou pregar o evangelho. Vou lhes apresentar o evangelho de Jesus Cristo. E muitos de vocês provavelmente dirão: "Por quê? Nós já sabemos disso". Não, vocês não sabem.
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Vocês sabem sobre "4 leis espirituais" e "5 coisas que Deus quer que você saiba". E vocês sabem levar as pessoas tomarem decisões e confirmar a salvação delas, mesmo que Deus esteja a milhares de milhas de distância do que você está fazendo. Mas, provavelmente, você não sabe muito sobre o evangelho.
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A maior necessidade da comunidade evangélica hoje é aprender sobre o evangelho de Jesus Cristo. Porque simplesmente examinando os sermões e vendo a técnicas e metodologias de crescimento de igreja e todas as outras coisas que vejo, eu só consigo chegar a apenas uma conclusão: Nós não conhecemos o evangelho de Jesus Cristo.
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Veja o que temos feito:
Nós vamos a um homem e dizemos: “Você sabe que é um pecador?” Se ele disser "sim", nós vamos para a próxima pergunta. “Você gostaria de ir para o céu?” Se ele disser "sim", nós vamos para a próxima pergunta. “Você gostaria de pedir para Jesus Cristo entrar no seu coração?” Se ele disser "sim", e fizer aquela oração nós perguntamos a ele se ele foi sincero. E se ele disser "sim", de pronto já (na verdade a expressão usada é “papalmente” – eu tenho usado a tradução “de forma papal” o que você acha?) o declaramos nascido de novo.
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Isto não é o evangelho de Jesus Cristo. E essa metodologia no evangelismo tem causado mais estrago neste país do que qualquer heresia introduzida por todas as seitas juntas.
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Milhões de pessoas neste país cujas vidas nunca foram transformadas acreditam que elas são nascidas de novo, porque nós reduzimos tanto o evangelho de Jesus Cristo, que ele agora não significa nada mais que uma simples decisão que vai tomar apenas 5 minutos do seu tempo.Vamos analisar (acho um termo melhor para a ocasião) isso por um momento: “Você sabe que é um pecador?” Se a pessoa disser “sim”, o que isso significa? Absolutamente nada! Vá perguntar ao diabo se ele sabe que ele é um pecador. Ele vai dizer “sim eu sou e sou muito bom nisso”.
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A questão não é: “Você sabe que é um pecador?”. A questão é: “Desde que você tem ouvido a pregação do evangelho, Deus tem operado de tal forma em seu coração que o pecado que você amava você agora odeia?” Esta é a questão.
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A questão não é: “Você gostaria de ir para o céu?” Todo mundo quer ir para o céu, eles só não querem que Deus esteja lá quando eles chegarem lá. A questão não é: “Você gostaria de ir para o céu?” A questão é: “Desde que o evangelho tem sido pregado a você, o Deus Todo-Poderoso tem feito uma obra soberana e sobrenatural em seu coração que o Deus que você odiava e ignorava você agora deseja e estima como digno acima de todas outras coisas.
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E por último: “Você gostaria de fazer uma oração pedindo para Jesus entrar no seu coração?” Você será duramente pressionado a encontrar base bíblica para esta pergunta no Novo Testamento.
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Você pode dizer: “Ah não, lá diz: receba Ele”. Você honestamente acha que quando a Bíblia fala de receber Cristo, ela está falando de balbuciar algum rito evangélico? Quando ela fala de receber Cristo, é através do arrependimento e fé. Não é recebê-Lo como algum acessório em sua vida, é recebê-Lo como o próprio sustentador da sua vida. Cristo não é algo que faz sua vida melhorar, Cristo é a sua vida! Ele é sua vida!
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Jesus não veio e disse no evangelho de Marcos: “O tempo está cumprido e é chegado o reino de Deus, agora quem gostaria de orar me convidando para entrar em seu coração”. Ao invés disso Ele disse: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15).
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E não se esqueça que através de todo o ensino do Novo e do Velho Testamento, o arrependimento é evidenciado por frutos, pela maneira como alguém vive. A maioria das pessoas hoje acredita que são salvas porque elas estão confiando na sinceridade de suas decisões e não na obra de Cristo, nem no poder de Deus na salvação.
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“Você é salvo?” “Sim”. “Como você sabe?” “Bem, três anos atrás eu orei pedindo para Jesus entrar no meu coração.” Sério? E quantos outros têm feito isso. A evidência da salvação, a evidência do arrependimento, a evidência da fé é uma vida transformada em contínua transformação.
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Como você sabe que você se arrependeu para salvação anos atrás? É porque você continua a se arrepender hoje. Como você sabe que creu para a salvação anos atrás? É porque você continua crendo hoje. Como você sabe que Deus teve um encontro com você anos atrás? É porque Ele continua tendo um encontro com você. Através da obra da santificação, ele não apenas transformou sua vida, Ele ainda continua transformando sua vida.
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O evangelho que pregamos hoje é um ritual. Sim, algumas pessoas foram salvas, mas não por causa de nossa pregação, na verdade a despeito dela. Deus ainda opera, embora não conheçamos o evangelho.
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Não é uma mensagem entre muitas. É a mensagem das Escrituras e é a mensagem do Cristianismo. O mais triste é que não está sendo mais a mensagem da igreja na América. E eu posso te provar isso. Vá até as suas livrarias. Se pensarmos em 200 ou 300 anos atrás, nós veríamos que quando eles falavam do Cristianismo era sobre o evangelho. Os livros que foram escritos pelos “Spurgeons” (ele não se refere a Spurgeon, mas a pessoas como Spurgeon), pelos Puritanos, e pelos “Edwards” eram sobre o que é o evangelho, como podemos compreender o evangelho, como devemos pregar o evangelho, o que é verdadeira conversão, como realmente podemos saber quando as pessoas realmente nasceram de novo. Vá a algumas de suas livrarias evangélicas e tente achar algum livro que fale dessas coisas. Você não vai achar nada. Só há coisas como: “como fazer isso” e “dez passos para aquilo”.
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Por que há tão pouco poder hoje? Porque não conhecemos o evangelho, porque não nos preocupamos com verdadeira conversão, porque não fazemos das coisas importantes algo realmente importante, mas nós as substituímos com o uso cômodo da mídia no culto, com certo tipo de música para deixar todo mundo no clima, com pregadores relâmpagos que nos falam tudo o que queremos ouvir para que tenhamos a nossa melhor vida agora, porque na verdade é isso o que queremos, mais do que Deus. Não há poder porque o evangelho está esquecido. Traga o evangelho de volta e você verá o poder de Deus se movendo sobre a vida de homens, mulheres e crianças. O evangelho simples.
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Autor: Paul Washer
Para ver a palestra, clique aqui.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Espiritualidade pelos motivos errados

A simplicidade do evangelho de Cristo é uma constante na entrevista abaixo. Se você, de alguma forma se sente constrangido (ou até mesmo, envergonhado) com as novas metas estabelecidas pela "igreja contemporânea", lembre-se de que a simplicidade de como Jesus nos ensinou a viver o evangelho, ainda pode nos atingir de uma maneira certeira. E com isso, acertaremos outras vidas... com a simplicidade do evangelho de Cristo Jesus!
Eduardo
Espiritualidade pelos motivos errados

Eugene Peterson fala sobre mentiras e ilusões que destroem a Igreja.

Eugene Peterson: "Pensar que a espiritualidade é uma forma especializada de cristianismo, alguma coisa da qual se deve possuir um pouco, é um pensamento elitista. Motivações erradas levam a pensar assim".

Eugene Peterson tem uma vida inteira de livros publicada antes de A mensagem. E poderia-se argumentar que foram suas obras que levaram, pelo menos em parte, à renovação espiritual de pastores e leigos que ocorre hoje. Em livros como Um pastor segundo o coração de Deus, Corra com os cavalos, O pastor contemplativo e O pastor desnecessário, ele expôs a superficialidade do cristianismo e apresentou alternativas que estimulam e revigoram. Significativo notar, então, que Peterson voltou a escrever sobre a vida cristã em A maldição do Cristo genérico, publicado no Brasil pela Mundo Cristão. Esse livro é o primeiro de uma série planejada para cinco volumes, onde ele reunirá, de forma sistemática, temas que vêm abordando há cerca de 30 anos – formação espiritual, a Bíblia, liderança, a Igreja, pastorado e orientação espiritual.

O primeiro volume é uma obra-prima sobre teologia espiritual que combina análise cultural e exposição bíblica incisivas com uma visão abrangente e atrativa da vida cristã. Toda a obra de Peterson resultou de seu pastorado, especialmente na Igreja Presbiteriana Christ Our King, que fica em Bel Air, subúrbio de Baltimore, no estado de Maryland, Estados Unidos. Ele fundou a igreja, que tinha cerca de 500 membros 29 anos depois, quando deixou o pastorado. De lá, ele foi para o Seminário Teológico Pittsburgh e depois para a Regent College, em Vancouver, no Canadá. Hoje está “aposentado” e vive em seu estado natal, Montana, porém continua pastor de coração, e se preocupa profundamente com a vida cristã nas igrejas locais.

Quando Peterson estava concluindo A maldição do Cristo genérico, Mark Galli, editor-chefe da Christianity Today, conversou com ele sobre temas que surgiram por causa do livro e também por causa da vida de Peterson.

CHRISTIANITY TODAY: Que aspecto da espiritualidade causa mais interpretações erradas?

Eugene Peterson: Pensar que a espiritualidade é uma forma especializada de cristianismo, alguma coisa da qual se deve possuir um pouco, é um pensamento elitista. Motivações erradas levam a pensar assim. Outras pessoas ficam desanimadas com a idéia: "Não sou espiritual. Prefiro futebol, festas ou meu trabalho". Na verdade, eu tento evitar a palavra.

CT: Muitos pensam que espiritualidade envolve intimidade emocional com Deus.

EP: Trata-se de uma visão ingênua. Espiritualidade é a vida cristã. Seguir Jesus. Não é nada mais do que fazemos há dois mil anos – ir à igreja, receber os Sacramentos, ser batizados, aprender a orar e ler a Bíblia da maneira correta. Nada além dos atos comuns.

A promessa de intimidade é certa e errada. Existe intimidade com Deus, que é igual a qualquer outra. Faz parte da essência da vida. No casamento, não se sente a intimidade na maior parte do tempo, nem com amigos. Ela não é fundamentalmente uma emoção mística. É uma forma de vida, aberta, sincera e com certa transparência.

CT: A tradição mística não aponta em outro sentido?

EP: Uma de minhas histórias prediletas é sobre Teresa de ávila. Ela estava na cozinha, comendo um frango assado. Pegou-o com as duas mãos e começou a morder, devorando-o. Uma das freiras entrou e ficou chocada ao ver a cena. Teresa então falou: “Quando como frango, eu como frango; quando oro, eu oro.”

Se você ler a vida dos santos, verá que foram pessoas bem comuns. Há momentos de enlevo e êxtase, um a cada dez anos. E eram inesperados. Eles não faziam nada. Precisamos acabar com a ilusão das pessoas quanto à vida cristã. Ela é maravilhosa, mas não no sentido que muitas pessoas gostariam que fosse.

CT: Os evangélicos, porém, dizem que podem ter um “relacionamento pessoal com Deus”. Isso sugere um determinado tipo de intimidade espiritual?

EP: Essas palavras perderam o sentido correto em nossa sociedade. Se intimidade significar ser aberto, sincero, autêntico, sem véus, sem atitude de defesa, sem negação de quem eu sou, então tudo bem. Mas, em nossa cultura a intimidade costuma ter conotação sexual, com algum tipo de conclusão. As pessoas buscam intimidade porque desejam mais da vida. Raramente vemos a noção de sacrifício, doação e vulnerabilidade. São essas as duas formas diferentes de intimidade. E a palavra em geral tem a ver com receber alguma coisa da outra pessoa. Isso, de fato, estraga tudo.

Usar a linguagem da cultura para interpretar o evangelho é muito perigoso. Nosso vocabulário precisa ser apurado e testado pela revelação, pela Bíblia. Nosso vocabulário e sintaxe são excelentes, e devemos começar a dar atenção a eles, porque a forma como pegamos as palavras sem atenção, para cativar os incrédulos, não é muito boa.

CT: A palavra espiritualidade foi deturpada, mesmo nos meios cristãos – isso tem alguma relação com o movimento da Nova Era?

EP: A Nova Era é antiga. Está por aí há muito tempo. é um desvio pobre – acho que temos de usar a palavra – para chegar à espiritualidade. O movimento foge do que é comum, cotidiano, físico, material. é uma forma de gnosticismo com um apelo imenso, porque se trata de espiritualidade que não tem nada a ver com lavar pratos, trocar fraldas ou ir trabalhar. Não há muita integração com profissão, gente, pecado, problemas, inconvenientes.

Fui pastor a maior parte de minha vida, durante uns 45 anos. Amo ser pastor. Mas, para falar a verdade, as pessoas que mais me incomodam são as que chegam e perguntam: “Pastor, o que tenho que fazer para ser espiritual?” Esqueça esse negócio de ser espiritual. Que tal amar seu marido? Isso é um bom começo. Mas ninguém quer ouvir isso. Ninguém quer pensar em aprender a amar os filhos e aceitá-los do jeito que são.

Meu nome não deveria, nunca, estar ligado à espiritualidade.

CT: Mas, em geral, está.

EP: Sei disso. E há alguns anos assumi essa posição embaraçosa de professor de “teologia espiritual” na Regent College. Agora, o que fazer?

CT: Você faz a espiritualidade parecer muito mundana.

EP: Não quero sugerir que quem segue Jesus não se diverte, não tem alegria, nem exuberância, nem êxtase. Acontece que não somos o que os consumidores pensam que somos. Quando anunciamos o evangelho nos termos dos valores do mundo, mentimos, porque se trata de uma nova vida. Envolve seguir Jesus, envolve a cruz. Inclui morte, um sacrifício aceito. Abrimos mão de nossa vida.

O Evangelho de Marcos é bem claro quanto a isso. Na primeira metade do livro, Jesus mostra como as pessoas devem viver. Cura todos. Então, bem no meio, ele muda. Começa a mostrar como morrer: “Agora que vocês têm vida, vou mostrar como abrir mão dela.” Essa é toda a vida espiritual. Aprender a morrer. E, enquanto aprendemos a morrer, começamos a perder todas as ilusões, começamos a ser capazes de desfrutar de intimidade e amor verdadeiros.

Isso envolve um tipo de passividade aprendida, já que nossa forma básica de relacionamento é receber e submeter em vez de dar, ganhar e fazer. Não somos muito bons nisso. Somos treinados para ser positivos, pegar, aplicar, consumir, desempenhar.

CT: Arrependimento, morrer para si mesmo, submissão – nada disso é muito atraente para levar as pessoas à fé.

EP: Penso que no minuto em que você coloca a questão dessa forma você arruma um problema, porque vemos o mundo consumista, onde tudo se torna um produto que dá alguma coisa. Não precisamos de nada mais. Nada melhor. Buscamos a vida. Estamos aprendendo a viver.

Creio que as pessoas estão cansadas da postura consumista, embora estejam viciadas nela. Todavia, se apresentarmos o evangelho em termos de benefícios, colocaremos as pessoas no caminho da decepção. Estaremos mentindo.

A Bíblia não foi escrita assim. Nem foi dessa maneira que Jesus andou entre nós. Paulo não pregou nada disso. Onde arrumamos essas idéias? Temos um manual. Temos as Escrituras que, na maior parte do tempo, dizem: “Vocês estão no caminho errado. Voltem. A cultura está envenenando vocês”.

Você já percebeu que praticamente toda a cultura de Baal, em Canaã, se reproduz na cultura das igrejas? A religião de Baal busca fazer a pessoa se sentir bem. O culto a ele é uma imersão total no que você vai conseguir receber. E, claro, é um sucesso incrível. Os sacerdotes de Baal reuniam multidões vinte vezes maiores do que o número dos seguidores de Yahweh. Havia sexo, excitação, música, êxtase, dança. “Pessoal, aqui tem garotas! Estátuas, garotas e festas.” Era tudo maravilhoso. E o que os hebreus tinham a oferecer? A Palavra. O que é a Palavra? Bem, os hebreus pelo menos também tinham festas!

CT: Ainda assim, o maior atrativo, ou benefício, da fé cristã é a salvação, certo? “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo.” Não podemos usar isso legitimamente para atrair ouvintes?

EP: É a palavra mais sublime que temos – salvação, ser salvo. Somos resgatados de um estilo de vida em que não existe ressurreição. Somos salvos de nós mesmos. Uma definição de vida espiritual é que a pessoa fica tão cansada e saturada de si mesma que procura alguma coisa melhor, ou seja, seguir Jesus.

Mas, no momento em que começamos a proclamar a fé em termos de seus benefícios, não fazemos nada além de intensificar o problema do ego. “Com Cristo, você vai ficar melhor, mais forte, mais atraente, vai até ter alguma satisfação.” Isso não passa de mais egoísmo. O que queremos é que as pessoas fiquem entediadas com elas mesmas e passem a olhar para Jesus.

Todos conhecemos certo tipo de pessoa espiritual: maravilhosa, ama o Senhor, ora e lê a Bíblia o tempo todo. No entanto, só pensa nela mesma. Não é altruísta. Está sempre no centro de tudo que faz. “Como posso melhorar meu testemunho? Como posso aperfeiçoar o que estou fazendo? Que solução melhor posso encontrar para o problema dessa pessoa?” Tudo eu, eu, eu, sob um disfarce espiritual que não deixa perceber o egoísmo, porque as palavras espirituais nos desarmam.

CT: Então, como devemos visualizar a vida cristã?

EP: No domingo passado, na igreja, o casal que estava na nossa frente tinha duas crianças bagunceiras. Dois bancos mais trás havia outro casal, com duas crianças também bagunceiras, fazendo bastante barulho. A maioria da congregação é formada por pessoas mais velhas. é gente estabelecida, que já criou os filhos há muito tempo. Então, o culto não foi muito agradável; não foi um momento de adoração muito gostoso. Depois, porém, vi alguns dos idosos abraçando a mãe, tocando nas crianças, sendo simpáticos. Eles poderiam ter ficado irritados.

Agora, por que as famílias vão a uma igreja como aquela, já que podem ir a outras que têm atividades especiais para as crianças, ar condicionado e tudo mais? Bem, elas vão ali porque são luteranas. Não se importam de ter momentos desagradáveis! São luteranas norueguesas!

E essa mesma igreja recebeu, há pouco tempo, uma jovem com um bebê e um filho de três anos. As crianças foram batizadas há algumas semanas. Mas não tinha nenhum homem com a jovem. Ela nunca foi casada, as crianças têm pais diferentes. Ela apareceu na igreja e pediu para batizar os filhos. Ela é cristã e quer seguir a vida cristã. Um casal da igreja apadrinhou as crianças. Três ou quatro casais da igreja tentam se aproximar da jovem todos os domingos.

Agora, onde está a “alegria” nessa igreja? São noruegueses sérios! Mas há muita alegria. Há vida abundante, mas não da forma que a pessoa que não é cristã entende vida abundante. Acredito que há muito mais coisas acontecendo em igrejas como essa; elas são totalmente contraculturais. Estão repletas de alegria, fidelidade, obediência e cuidado. Mas, com toda certeza, não se percebe isso lendo sobre o crescimento da igreja.

E muitos cristãos olhariam para essa igreja e diriam que está morta, que não passa de uma expressão de fé institucionalizada.

Existe outra igreja além da institucional? Não existe igreja sem problemas, porque há pecado nela. Mas não existe outro lugar para ser cristão além da Igreja. Há pecado no banco e no mercado. Não consigo entender essa crítica ingênua à instituição. Não entendo mesmo.

Frederik von Hugel disse que a instituição da Igreja é como a casca das árvores. Não há vida nela. é madeira morta. Porém, protege a vida que está dentro da árvore. Com isso, a árvore cresce cada vez mais. Se removermos a casca, poderá adoecer, desidratar-se e morrer.

Então, sim, a igreja está morta, mas protege alguma coisa viva. E quando se tenta ter uma igreja sem casca, ela não dura muito. Desaparece, fica doente, tende a contrair todo tipo de enfermidade, heresia e narcisismo.

Quando escrevo, tenho a esperança de recuperar o senso de realidade da congregação – o que ela é. é um dom do Espírito Santo. Por que teimamos em idealizar aquilo que o Espírito Santo não idealiza? Não há, na Bíblia, nenhuma idealização da Igreja. De lá para cá temos dois mil anos de história. Por que demoramos tanto para entender?

CT: Depois da Reforma, entretanto, defendemos a idéia de que a Igreja pode ser reformada.

EP: Isso ainda não aconteceu. Sempre defendo reformas, mas pensar que podemos ter uma igreja totalmente reformada não passa de tolice.

Acredito que o pecado mais comum entre os pastores, talvez especialmente os pastores evangélicos, é a impaciência. Temos um alvo, uma missão. Vamos salvar o mundo. Vamos evangelizar todo mundo, fazer tudo que é bom e encher as igrejas. Isso é maravilhoso. Todos os alvos são corretos. Mas é um trabalho lento, muito lento, esse de lidar com almas, trazer as pessoas a uma vida de amor e alegria diante de Deus.

Então ficamos impacientes, começamos a tomar atalhos e usar todo tipo de meios. Falamos sobre os benefícios. Manipulamos as pessoas, ameaçando-as. Usando uma linguagem que é incrivelmente impessoal – que ameaça e manipula.

CT: Não é comum pensar na igreja como ameaçadora.

EP: Sempre que se usa culpa como instrumento para conseguir que as pessoas façam alguma coisa – seja ela boa, má ou neutra – acontece uma ameaça. E há também a linguagem de manipulação – convencer as pessoas a participarem de um programa, a se envolverem – em geral com alguma promessa.

Tenho um amigo que faz isso como ninguém. Diz sempre: “é preciso identificar as necessidades das pessoas. A partir daí, construímos um programa que atenda essas necessidades.” é muito fácil manipular as pessoas. Estamos tão acostumados a ser manipulados pelas indústrias da imagem e da publicidade e pelos políticos que praticamente não percebemos que estamos sendo manipulados.

Essa impaciência que leva a abandonar os métodos de Jesus para realizar a obra de Jesus é o que destrói a espiritualidade, porque usa meios não-bíblicos, contrários a Jesus, para fazer o que ele fez. Por esse motivo a espiritualidade, hoje, está tão desvirtuada.

CT: Mas muitos pastores vêem gente sofrendo em casamentos problemáticos, viciada em drogas, presa na cobiça. Com toda razão, desejam ajudar agora, e usam qualquer método que funcione.

EP: Tudo bem, mas alguma coisa sempre dá errado quando há impaciência. Como atender essa necessidade? Seguimos o exemplo de Jesus ou da cultura?

Espiritualidade não se relaciona a fins, benefícios, coisas; ela tem a ver com meios. é como agimos. Como vivemos na realidade?

Então, como podemos ajudar essa gente? As necessidades são imensas. Bem, fazemos como Jesus fez. Uma coisa de cada vez. Não podemos fazer a obra, o evangelho do reino, de forma impessoal.

Vivemos na Trindade. Tudo que fazemos precisa estar no contexto da Trindade, ou seja, é pessoal, relacional. No instante em que começamos a agir impessoalmente, funcionalmente, voltados para as massas, negamos o evangelho. E, mesmo assim, isso é o que mais fazemos.

Jesus é a Verdade e a Vida, mas, primeiro, é o Caminho. Não é possível fazermos a obra de Jesus com os métodos do diabo.

Isso me preocupa, porque muitos pastores ficam limitados com essas metodologias impessoais. Não há relacionamento nelas. Assim, voltam-se para o desempenho e o sucesso. Tudo é muito fácil em nossa cultura, pelo menos se você for alto e tiver um belo sorriso. E eles acabam perdendo a alma. Depois de 20 anos, não há mais nada neles. Alguns se deterioram. Tentam fazer tudo e não funciona, de modo que desistem, ou passam a fazer outra coisa. Provavelmente, 90% dos casos de adultério entre os pastores não se relaciona com a lascívia, mas sim com o tédio de não ter a vida romântica que achavam que iam ter.

CT: O que aconteceria se pensássemos em termos de relevância e não de necessidades? Muitos cristãos tentam pregar para a geração X ou Y, ou para os pós-modernos, ou para algum subgrupo, como músicos ou ciclistas – gente que considera a igreja típica irrelevante.

EP: Quando começamos a adequar o evangelho à cultura, seja ela dos jovens ou desta geração ou de qualquer outro tipo, extipamos a essência do próprio evangelho. A mensagem de Jesus Cristo não trata do reino deste mundo. Fala de outro reino.

Meu filho Eric organizou uma igreja nova há seis anos. Os presbiterianos têm um treinamento para novos pastores, onde eles aprendem o que devem fazer. Eric foi participar. Um dos professores disse que ele não deveria usar toga nem estola: “Você precisa se colocar no mesmo nível desta geração.”

Eric, sendo bom aluno e desejoso de agradar os colegas, não usava a toga. A igreja, no início, se reunia no auditório de um colégio. Ele começou a usar terno todos os domingos. Porém, quando chegou o primeiro domingo do Advento e ele ia servir a Santa Ceia, ele me disse: “Pai, eu não consegui fazer como o professor disse. Acabei vestindo minha toga.”

Os vizinhos dele, Joel e a esposa, frequentavam a igreja. Joel era o estereótipo perfeito do tipo de pessoa para quem se destinava o desenvolvimento das novas igrejas – classe média alta, gerente em alguma empresa, nunca havia sido membro de igrejas, totalmente secular. Eric pensava que ele ia à igreja porque eram vizinhos, ou porque havia amizade entre eles. Depois do culto do Advento, perguntou a Joel o que ele tinha achado da toga.

Ele respondeu: “Chamou nossa atenção. Conversamos sobre isso. Acho que estamos procurando, na verdade, um espaço sagrado. E nós dois concordamos: achamos que encontramos.

”Creio que precisamos ver o que é importante. Não vejo as pessoas se importando muito com o tipo de música ou com o formato do culto. Elas buscam um lugar onde Deus é levado a sério, elas também são, onde ninguém manipula as emoções delas nem suas necessidades de consumo.

Por que estamos presos nesse pensamento de publicidade e propaganda? Acho que isso está destruindo a Igreja.

Uma outra pessoa poderia entrar na igreja de Eric, ver a toga que ele está usando e ir embora, achando que é uma congregação religiosa e eclesiástica demais.

CT: Mas por que alguém vai à igreja, se não quer ser religioso? Para que essa gente vai à igreja?

EP: Claro que a situação tem outro aspecto. Se você freqüenta uma igreja onde todos desempenham o papel de religiosos, acabará fazendo o mesmo. Essa mentalidade de representação e desempenho existe na igreja dos surfistas como em qualquer outro lugar – estão todos representando um papel lá, também.

Mas aquilo em que estamos envolvidos inclui um mistério imenso. Será que teremos que acabar com o mistério para assumir o controle? A reverência não faz parte do centro da adoração a Deus?

E, se apresentamos uma entrega a uma fé despida de todo mistério, onde não há reverência, como as pessoas irão saber que existe algo mais além das emoções e necessidades delas? Está em curso alguma coisa muito maior do que minhas necessidades. Como poderei entender isso se o culto e a adoração na igreja estão centralizados em minhas necessidades?

CT: Algumas pessoas diriam que é importante ter um culto de adoração em que todos se sentem à vontade, para, assim, ouvirem o evangelho.

EP: Não concordo com isso. Tome o fato que contei, da família sentada à nossa frente no domingo. Ninguém estava à vontade. A igreja inteira foi incomodada.

CT: Mas, talvez, a congregação tenha vivido mais o evangelho, ao abraçar aquela pobre mulher, que estava profundamente envergonhada.

EP: Nunca saberemos, porque as pessoas não se limitam mais a apenas adaptar o ministério à cultura. Passaram a sacrificar o evangelho.

Penso no seguinte teste: Estou agindo como a história, os métodos e as maneiras de Jesus? Estou sacrificando relacionamentos, atenção pessoal, relação pessoal, em prol de um atalho, um programa para conseguir que as coisas aconteçam? Não é possível fazer a obra de Jesus de forma que ele não aprova – mesmo que pareça muito “bem-sucedida”.

Uma atitude que creio ser característica minha é permanecer na igreja local. Sou arraigado na vida pastoral, uma vida comum. Então, enquanto todo o glamour e imagem de espiritualidade acontecem em outros lugares, eu, para dizer a verdade, permaneço bem alheio. E olho tudo isso com desconfiança, de certa forma, porque me parece uma situação sem raízes, sem fundamento em condições locais, que são as únicas em que se pode viver a vida cristã.

Fonte: Cristianismo Hoje Via: Bereianos

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